“Calhou cocó”

Falar de cocó é sempre um problema.
Mas para isso estou cá eu. Dizer merda é comigo.
Há que pensar assim: toda a gente o faz. Aquela miúda gira do curso faz cocó, o chefe senta-se na sanita para fazer cocó até o Donald Trump, antes de levantar muros e cortar nos direitos das mulheres, faz cocó.

E, a verdade, é que não percebo o porquê de tanto tabu. Eu desde pequena que fui muito liberal e… incompreendida.

Durante 10 anos inteiros andei no externato mais fixe do mundo, O Pinguim.
Se eu pudesse, voltava para lá, principalmente pelas sestas.
Fiz grandes amizades, vivi um grande amor e guardo boas memórias (até calhou bem).

Sempre foi (e continua a ser) uma escola dinâmica. Sempre a organizar coisas.
Na altura da Páscoa lembro-me de ficarmos sempre mega contentes porque íamos ver a São fazer o folar e (a melhor parte) íamos poder comê-lo.

Acontece que todas as personagens principais têm um antagonista. Eu tinha a “Rosa” e era “má como as cobras”.

Chegou o dia do folar e fomos em grupos para a cozinha ver a magia acontecer.
Conforme a São ia batendo a massa do folar todos os meus coleguinhas iam comentando:

– Parece isto!

– Parece aquilo!

E eu (desde sempre com a mania de participar nas aulas) decidi dar o ar da minha graça. Olhava para a massa a cair em forma de onda para a mesa. Quando comentei:

– PARECE COCÓ!

Como se não bastasse a minha intervenção bastante oportuna, a minha cara amiga “Rosa” decide reforçar a ideia.

– COOOOOOCÓÓÓÓÓÓÓÓÓ???????? (assim naquele tom mesmo irritante)

Um pormenor importante nesta história é que havia uma funcionária a gravar tudo.

Não me lembro o que aconteceu depois da cozinha.

Lembro-me de, no dia seguinte, ir cheia de medo para a escola porque sabia da merda que tinha feito. 🙂

E não é que, no preciso momento em que a minha mãe me deixa na porta, oiço a funcionária a comentar com a professora: “Esquece, não dá para fazer grande coisa. A Inês quase nem se ouve, o problema é depois a “Rosa” a repetir.”

 

Conclusão

Se todos falássemos de cocó como quem fala de arroz:
“Ah ontem o meu cocó ficou muito colado”,
“Merda! Pegou-se no fundo da sanita!” ,
ou
“Ah hoje sim! Hoje ficou bem soltinho como eu gosto!”

Se fosse assim, o mundo era muito mais fácil.

MAS

Já o meu avô costumava dizer:

final_coco

É um belo de um trocadilho, vô. ❤

 

A Melo dramática.

 

 

cocó.

4 pensamentos sobre ““Calhou cocó”

  1. As conversas de merda, são ainda alvo de alguma censura. Porém a democracia veio dar maior liberdade à expressão!
    Toda a gente faz cocó , e também faz merda. Agora o contexto e intenção que lhe querem dar…..é..” à vontade do freguês”!!!
    E agora plagiando o teu avô, …..”.toda a merda é boa” , depende apenas
    do objetivo que lhe queremos dar !!!..até quando a …queremos mandar a …..alguém…….

    Gostar

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